A pele fraca
O músculo sangrento
A faca não tem fio para cortar
As pessoas dizem que o que a gente precisa da vida é ser feliz, mas não pode ser isso. Porque muitos de nós somos e nem por isso encerramos nossa jornada nem por isso: quebramos nossa busca. Mas é essa busca que talvez nos mova e que se porta com sede insaciável pois me parece deveras alienado delimitar nossos objetivos a: bom profissional, família feliz, viagens e um bom apartamento. David Elkind, um teórico e psicólogo estadounidense, no livro "Infância e Sociedade", reparte nossa vida em oito estágios. O último é Integridade X Desespero, em que o idoso avalia suas ações até o seu "agora" e pesa se tudo valeu a pena. Se sim, o senso de integridade sobrepõe-se ao do desespero. Porém o que acontece se o desespero vence? O idoso possui dois caminhos sendo: a) entrar em um estado depressivo e lamentar ou b) tentar recompensar com ações benévolas que deem sentido à sua vida (isso não é Elkind que fala, mas eu, na minha humilde condição de... ninguém, que observa).
Minha vó está prestes a morrer, e eu pensei em perguntar se ela acha que valeu a pena. Mas não vou fazer isso, porque corro o risco de que ela tenha mais desespero do que integridade. A verdade é que todos somos felizes até que questionemos essa felicidade. Fazemos tudo para dar um sentido que nos motive a acordar todos os dias e colocar a roupa e tomar café e sair de casa. Só que qualquer motivo que seja, é egoísta, visto que até podemos tentar-nos enganar dizendo, eu preciso sair de casa para trabalhar e sustentar minha família mas: se a família não precisasse de sustento, não haveria um porquê de levantar-se, e seria preciso buscar outro motivo que: exigiria uma reflexão mais apurada. Porém a reflexão cansa, a reflexão nos deixa infelizes, já que sempre vemos que algo nos falta. Talvez seja para isso que sirva a reflexão para: acharmos o nosso vazio existencial e ir atrás buscar qualquer outra coisa que nos preencha.