quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ocasionalmente

Acho que se todos vivêssemos num desenho animado, as coisas seriam mais fáceis. Tudo seria mais colorido, mais digerível, mais palpável. Os vilões e bonzinhos seriam mais nítidos e simplificados e estereotipados. Simplificados porque um vilão sempre é só vilão, sem parte boa - ao menos nos desenhos (exceto em alguns episódios de Tom e Jerry). A gente podia ter a sorte de estar num desenho de super-heróis: quem sabe teríamos super-poderes.

Mas não estamos. Vivemos nessa vida crua crua crua que dói. E arde a pele, e arde o coração. A gente sofre com coisas que sabemos que no futuro não vão mais nos doer, mas mesmo assim nos dói, porque saber que passa não adianta em nada. Parece que o saber da mente é diferente do saber do coração. E nos dói. Vem alguém próximo e tenta nos falar alguma palavra bonita, alguma coisa que reconforte, e, por mais ridículo que pareça, realmento contamos com que essa palavra faça a diferença: a nos provocar uma epifania responsável por mudar nossa visão dos fatos, que será o nosso ponto de virada a nos fazer refletir e achar uma solução para nosso problema. Porém não é assim que funciona pois as coisas só mudam quando a gente quer, na hora em que a gente quer, da maneira que a gente quer: independente de uma palavra na hora certa. Porque a hora certa é a nossa, é a que nós próprios criamos. Às vezes, as pessoas repetem a mesma mensagem diversas vezes, contudo só pela décima vez é que entra no nosso coração. Não porque as nove mensagens anteriores foram inefetivas, mas porque precisamos de nove tempos para nos quedar em paz.

A gente tem um tempo, cada um tem um tempo. Tem o tempo de negar, de lamentar, de chorar, de se fazer culpado, de culpar o outro. Os tempos vão passando: gradativamente um tempo passa e dá lugar a outro maior - o Tempo, - e assim nós mesmos nos substituímos. O Eu velho amadurece e torna-se Eu novo. A alma troca de pele o tempo todo, toda a hora, apesar de a essência ser a mesma. A cobra troca de pele vez em quando, mas, mesmo com peles diferentes, será sempre cobra. É o que ocorre com nossa alma: muda de temps en temps, mas será sempre nossa Alma.

3 comentários:

Luna disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luna disse...

o tempo mano velho, muda só o que tem de mudar.

eu sempre digo, que a gente muda a cor da parede da sala, muda a mobilia, mas os cantos continuam os mesmos.

dear sarah disse...

A vida realmente dói, pessoas são diferentes.. mas não somos obrigadas a aceitá-las, cabe a nós decidir e as nossas escolhas fazem o que somos.


tenha um ótimo final de semana!