sexta-feira, 18 de março de 2011

Por que a gente pensa?

O que eu refletia era o fato de que eu detenho absolutamente credibilidade nenhuma para falar da neura que as pessoas têm com o tempo, já que acabo de fazer 18 anos e não posso reclamar de ter vivido muito ou de que me falta pouco tempo de vida. Então é fácil falar do tempo que traz amargura quando o tempo está, aos olhos dos outros, a meu favor. Isso poderiam pensar, mas também acho meio absurdo, porque o fato de não ter vivido algo não impossibilita qualquer um de argumentar sobre esse algo. Pessoas não precisam matar para dizer que isso não é o mais certo, nem precisam ter sido esquartejadas para saber que não se deve esquartejar.

Então, no caso, permito-me ver com maus olhos pessoas reclamarem do tempo, posto que eu tenha 18 anos. Mas também meus olhos são subjetivos, fracos, vulneráveis, e dá um medo, assim, pois às vezes me sinto totalmente perdido, já que julgar sempre traz consigo o fato de nos distanciarmos daquilo que julgamos. Assim, se julgamos negativamente algo, ao mesmo tempo nos distanciamos e nos elevamos perante isso, o que acaba por nos servir, como fim, para bajular o ego. Meio triste pensar que julgar acaba por servir também para ajudar na autoestima.

Mais triste é pensar que, segundo esse pensamento, pessoas inteligentes são as que mais julgam e, assim, as mais pedantes. Aí é que se deve trocar o julgar pelo analisar, sem confundir um com outro. Só que, aqui, eu não coloco "julgar" com o seu sentido de trazer os preconceitos para encarar um fato, mas julgar como expor e contrapor argumentos e informações para chegar a algum lugar. Talvez a saída seja se focar na análise, e não no que ela atinge. O foco seria na análise e contraposição de argumentos que, após uma conclusão, nos faria partir para outra análise. O prazer estaria em pensar, e não no resultado do pensamento. Talvez essa seja a fuga para que não peguemos o pensar como arma a nosso próprio favor, para distanciamo-nos dos outros. Porque também de nada adianta ser inteligente e ser um chato, vamos combinar. Coisas mais cansativas são piadas inteligentes sobre filósofos e citações sobre Focault no meio de uma conversa informal. Conversas não devem ser cansativas, tampouco exigir que nos esforcemos. E esse negócio de pagar de intelectual cansa o ouvinte, porque parece que precisamos o tempo todo correr atrás da pessoa para acompanhar sua linha de raciocínio. Como se estivéssemos correndo ao lado dessa pessoa ao redor de uma praça, com destino a lugar algum, somente para que ela nos mostre que aguenta dar muitas e muitas voltas na quadra sem se cansar.

Mas o que me irrita mesmo são textos relacionando cigarro a amor.

Um comentário:

Tatiane e Ana Laura disse...

muitas informações a se pensar...e pelo meu sedentarismo, topo só caminhar em parques, daqueles que caminhamos lado a lado no mesmo ritmo de uma idéia coletiva! ana laura