terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Fluídos

Só meu sangue sobe tua seiva e senha
e irriga as margens cegas
de tuas elétricas ribeiras
sendas de tuas grutas ignotas
(Adriana Calcanhoto)


Esses teus temores infundados não terão mais qualquer lugar quando estiveres perto dos meus braços - em roda àquilo que farei. Teus olhos castanhos não serão mais expressivos: serão receptivos às energias dos meus toques pois sabes que um abraço é mais do que um abraço, sabes que é uma proteção, uma troca de fluídos visíveis apenas àqueles que podem ver. Sabes que às vezes vejo estes fluídos, e falo:

- Vês aqui alguns pontos amarelos unidos a pontos vermelho-rosa-choque; unidos formam estas linhas que passeiam entre nossas mãos e os dedos suplantam pontes verborrágicas; nosso amor não se mede em decibéis ele aparece ao juntarmos nossos dedos e formarmos estas linhas dançantes, a nossa cabeça é palco de energias infinitas: infinitas como o calor do aconchego.

Eu passeava por Buenos Aires e vi uma loja com o nome, Como Quieres que Te Quiera?, e pensei nos quereres que nós temos. Today i want some icecream, tomorrow i want you in my team. Por pensares que o mundo voa enquanto nós ficamos parados é que te enganaste pois o mundo voa - mas nós também. Voei até teu lado e ouvi teus pensamentos que diziam:

- Não sinto aquele escorrer dos meus olhos e tampouco aspiro a um construir intransponível; o meu sagrado não me é sagrado e vejo agora a loucura escorrer por minhas veias; tatuo o meu amor à sangue na pele de alguém que mal conheço: eu mal me conheço: quanto mais os outros que finjo conhecer: porque meus amigos: meus amores: minha família: não os conheço e somente sei da existência dum existir construído a suor e lágrimas (não são máscaras, mas peles de outras armadilhas).

Talvez sejas minha própria Buenos Aires. La Boca. Porque eras de um jeito degradado e pouco a pouco: passo a passo viraste o que és agora, este colorir que alegra meu viver. E também és meu porto, onde troco mercadorias secretas - das mais secretas sustâncias corporais. Navego pelo teu rio e ainda me afogo vez em quando ao ver que não tenho pé. Tenho teu pé. E com ele troco fluídos invisíveis, visíveis apenas àqueles que tem o dom de ver pontos amarelos se juntarem com pontos vermelho-rosa-choque. Causo choque no teu corpo enquanto tu causas pane no meu viver que vai de ti a ti.

5 comentários:

Sarah' disse...

POrque sempre que eu vou a Buenos Aires, eu sinto um calor explícito de um alguem que nunca vi e nem ao menos falei ..
Acho que lágrimas misturados a cor de pele, com faceiros e mistos rostos de ternura me fazem sentir algo que jamais imaginei ,


eu gosto daqui.
gosto da sua polaroide! bjs

Juliana disse...

Today i want some icecream.

Natália Paes disse...

"...nossa cabeça é palco de energias infinitas... " não teria afirmação mais coesa e poética sobre nossa cabeça, nossas mentes... texto belo e inteligente... desculpe pela rima paupérrima.. rs mas foi inevitável... rs

Aline disse...

Sensações inexplicaveis, sensações que traze cores ao viver.

gostei da sua polaroide!
Beijos

Anônimo disse...

PUTZ!!!! Que coisa linda!