terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Guerra nos céus

E saberão dos meus desagrados e desgostos
Me pegarão pela mão e dirão que
Não
Que ainda não é a hora
Que não devo manifestar-me
Que devo calar-me até segunda ordem
Divina, maléfica em segundo plano
Até que conquistem o paraíso onde deuses habitam
Fazem orgias, bebericam vinho seco
Estalam suas línguas preguiçosas
Até que tomem o poder dos poderosos
É minha missão quedar-me quieto
Então beberei champanha importada
Brindarei aos meus defeitos
E cuspirei na cara destes que me dominam até que
Sim
Subirei aos céus
Vestido de armadura dourada e sapatilhas leves
Baterei à porta do paraíso e multiplicarei o ódio que dominará as minhas entranhas
Anjo contra anjo, deus contra deus
Todos haverão de apunhalar-se
Beberão seus vinhos secos enquanto portam espadas afiadas
Lâminas machadas de sangue nobre
Um a um
Lutarei contra deuses alados
Faca contra faca
Deuses sábios, promíscuos, sacerdotes
Homossexuais, arrogantes e pernetas
Deuses em poltronas confortáveis
Tronos ornados a dentes de macacos
Ossos já fedidos, clavículas de uma guerra antiga
Tapetes vermelhos de sangue divino
Bobos da corte revoltando-se
Tomando o poder
Degolando deuses gordos e barbados
Vinho repartido
Pão de centeio já dormido
Dominando mais um desagrado
Que hei de deixar para o amanhã

3 comentários:

locodeespecial disse...

Adoro quem escreve "champanha"

hulia says disse...

faço das palavras do locodeespecial as minhas...
inclusive quem escreve "quedar-me"
abraço!!

hulia says disse...

aliás, adoro esse poema! adoro