sexta-feira, 23 de abril de 2010

Clube da Escrita

Na minha faculdade, rola um grupo de gente que se reúne pra escrever. Com métodos meio lúdicos, dinâmicos, todos se encontram toda a semana pra se ver. Pra ver a escrita. Vão rolar saraus, discussões sobre escritores e mais um monte de coisa. O nome deste grupo é Clube da Escrita. É aberto pra qualquer um que faça Comunicação, tanto faz a habilitação. A gente tem um blog, e à princípio, toda a semana vão postar um texto. Deem um pulinho lá. Eu só tenho um texto publicado, mas logo virão mais. E vejam também os textos dos meus colegas, eles valem a pena. O link abaixo é da minha página. O link do home do blog tá na caixa das Ovelhas Negras.

http://clubechadascinco.blogspot.com/2009/01/marcel-hartmann.html

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Pra salvar esse post da inutilidade, eu vou escrever sobre Indústria Cultural:



Para a Escola de Frankfurt, as comunicações são importantes, não porque veiculem ideologias, mas por proporcionarem entreteinimento, alívio, sem o qual as pessoas não suportariam o crescente desencantamento da existência. Um meio de substituir a religião, constantemente atacada pela ciência, talvez? Antes, elas é que se ocupavam de dar o conforto do pós-morte (no final, tudo fica bem). Novelas são inúteis, Big Brother é inútil, mas quem tem coragem de tirar esse anestésico da família brasileira? Quem tem coragem de tirar a morfina de um doente terminal? Meu professor de Comunicação e Cultura disse que, num livro em que uma mulher escreve sobre quando acompanhou o Jornal Nacional por uma semana, William Bonner, ao ver um texto que iria então ao ar, disse: "Não, não, o Homer não vai entender".

A Indústria Cultural tem pleno saber de sua atuação. Os meios de comunicação pautam nossos assuntos. Quando estamos sem papo, falamos sobre o tempo, a novela, o BBB, o jogo de futebol. Não há como fugir desta Indústria. Não há rebeldia, em sua essência. No momento em que você arranja um emprego, você a alimenta, pois produz e consume (n)ela. É nosso Deus na terra, com sua onipresença e onipotência. Dita vários padrões: ser belo, ser rico, ser independente, quando, na realidade, é apenas um padrão: consuma, ininterruptamente, consuma. Vá à academia e faça uma plástica: seja belo. Trabalhe incessantemente: seja rico. Independência vem com o dinheiro, ok? Por definição de Adorno e Horkheimer, filósofos e sociólogos da Escola de Frankfurt, "Indústria Cultural designa uma prática social, através da qual a produção cultural e intelectual passa a ser orientada em função de sua possibilidade de consumo no mercado".  Ainda segundo eles, a avalanche de informações, as quais vivenciamos nos últimos anos, idiotiza as pessoas. Muita informação é difícil de ser filtrada. Informação crescendo em PG. O filtro parece não crescer.

A IC se autocensura, excluindo possíveis resistências, determinando ela mesma o consumo de seus próprios produtos. Já pensou colocar um assunto como esse num documentário exibido pela Globo? Óbvio que ela não deixaria, mas, fingindo que o faria, vocês acham que isso daria alguma audiência? Não. Porque a Indústria Cultural exclui qualquer resistência, sem que alguém precise ajudá-la. Sem que haja um censor ali do lado. Quem precisa de Ditadura Militar quando se tem o mais poderoso órgão a favor? Apolítico, ainda por cima, pois não faz diferença ser de direita ou esquerda: todos sucumbem ao seu poder. Os produtos produzidos por ela possuem todos os mesmos moldes, por mais que alguém coloque um artista famoso na propafanda para dar-lhe singularidade. Britney Spears lembra Kesha, não? A Lady Gaga também parece. Os filmes hollywoodianos também, com seus finais felizes (sem sangue/com sangue, escolha o que preferir). Nossas novelas das nove, com finais previsíveis e vilões estereotipados. Vez em quando surge alguma singularidade: cadeiras-de-rodas, protagonistas negros.

Símbolos de resistência também sucubem a ela. 10 reais a camiseta do Che Guevara, novinha. Revolução não existe. O Iluminismo, mesmo, contribuiu com tudo isso. Segundo a Escola de Frankfurt, "o que os homens querem aprender da natureza é como usá-la a fim de dominá-la mais completamente e aos outros seres humanos". Neste aspecto, os ideais iluminados nos prejudicaram. Não adianta, por mais que se tente evitar, sempre faremos parte e alimentaremos a Indústria Cultural. O que é preciso ter em mente, é que, para mudá-la, é preciso estar dentro dela (trabalhando com sua profissão e consumindo o que você consome).

Não há como ser um ser passivo. A única passividade que existe, é a passividade em relação às reações aos seus fenômenos: essa passividade, sim, pode ser escolhida, mas é extremamente essencial ser evitada e combatida. 

5 comentários:

Ana Luisa Pacheco disse...

leia o livo Cultura de Massa de Edgar Morin.

Gabriela Andrade disse...

Muito interessante o teu blog, passarei a acompanhá-lo. (:

Taty e Ana Laura disse...

Que bacana. Está se encontrando no mundo, e com certeza, um bastante interessante.
ana laura

sarah disse...

POstagem interessante.
e parabéns pelo outro blog, beeijos.

priscila disse...

A rebeldia contra a indústria também se torna um produto. Che Guevara? Virou molde; "revolução" por 10 reais.
Sobrevive-se sem a indústria cultural? Não, mas na tentativa tu te tornas um "rejeitado", o "mau-estar da pós-modernidade". A felicidade utópica a que almejamos tem em sua essência intrínseca a Indústria Cultural. Precisamos dela. Vamos alimentá-la para que ela nos dê mais "vida".

Ruim com ela, pior sem ela.


Lindo teu blog, Marcel! (:
Beijosmil!