sábado, 10 de abril de 2010

Sobre intimidação assistida

http://www.youtube.com/watch?v=4_mIAzQ6LtE


Diz-se, no Jornalismo, que repórter é aquele que sai às ruas para buscar a informação. Para nós, leigos (faço Jornalismo, mas ainda me incluo nesse grupo), é aquele que aparece no telejornal entrevistando outra pessoa. Por um viés, é como um soldado raso, pois é facilmente substituível e reciclável, além de ser aquele que pega na batente, saindo às ruas, na chuva e no calor, para aparecer não mais do que alguns segundos numa reportagem. Por outro - mais correto -, é fundamental (aliás, toda a peça jornalísitca é fundamental), a partir do momento em que se se faz a sua ausência, o tele-espectador de casa não vê nada. Não sabe de nada.

Mas isso é óbvio e não é novo. A questão é que Elcio Coronato, o repórter que entrevista Vesgo nesse vídeo, faz jus ao primeiro viés: totalmente reciclável. Definido como repórter pelo Antônio Tabet (o cara do Kibe Loco), passa quase quatro minutos intimidando Vesgo com perguntas agressivas e retóricas. No mais burro jogo de palavras, tenta claramente encurralar o humorista num beco-sem-saída. Faz perguntas óbvias esperando respostas óbvias, para em seguida fazer perguntas maliciosas. Usa ironia e linguagem corporal agressiva para intimidar nas entrelinhas. Nitidamente se nota o tom agressivo e arrogante de Coronato. Mascando chiclete, usando óculos escuros numa sala fechada e tirando o microfone enquanto Vesgo falava, demonstra total falta de respeito para com o entrevistado e tele-espectador. Parece ser um valentão praticando bullying com alguém mais fraco.

Ao longo da entrevista, o "repórter" aparenta portar a bandeira da vingança. Pretendendo representar toda a legião de famosos que já vivenciaram uma saia-justa com o humorista do Pânico, veste a mesma roupa, pois coloca o outro na mesma situação. Só que esquece que ninguém é vingador e que as coisas não se resolvem assim. Entretanto, sabe-se que formatos deste gênero ganham audiência para com o público. O chato é ver o repórter sendo totalmente ignorante com o humorista que tenta manter-se calmo e responder educadamente. Coronato critica o panicato por intitular-se repórter e crítico, mas tampouco crítico ele também é.

Vesgo erra várias vezes ao exceder-se no tom das brincadeiras com famosos. Entretanto, Coronato erra desde o início ao mostrar-se agressivo e não-receptível para com o entrevistado. É lamentável ver famosos tomando atitudes tão burras e infantis num programa. Se é careta dizer que não se agride o outro para não ser agredido, não sei de mais nada. Aliás, só sei que é horrível ver alguém sendo intimidado na tv. E que aquilo não é porcaria de entrevista jornalística nenhuma.

*À propósito: não vejo Pânico na TV e discordo do modo como os humoristas se excedem com os entrevistados, mas isso não é motivo para a intimidação assistida. Quem sabe vamos todos punir quem errou antes?

5 comentários:

Marcelo Mayer disse...

justamente por isso que é um profissão cada vez menos levada a sério. ótimo post rapaz

Bela disse...

ótimo texto !vc argumenta bem!!parabens!!

virei seguidora!


bjs,

Isabela

http://nablogoesfera.blogspot.com

Erica Ferro disse...

Infelizmente qualquer um pode passar-se por 'jornalista ou repórter' hoje em dia.
O raro é fazer jornalismo decente, que honre realmente o nome 'jornalismo'.

:*

Laysla. disse...

Os dois, para mim, são farinhas do mesmo saco, sabe?!

Charlie B. disse...

Coronato é ridículo, quer intimidar, é? Já assisti muito o pânico, gostava do Vesgo, o público curte, ou uma boa parte dele, sabe!

Charlie B.